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MARX E ORTEGA

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São dois pensadores diametralmente opostos, nada tem em comum, são como água e óleo, que não se misturam. Os une uma única curiosa coincidência: Ortega nasceu no ano da morte de Marx, 1883. por Paulo Müzell - março de 2019 O primeiro, um alemão cartesiano, agregou à dialética hegeliana a visão materialista da história. Colocou de cabeça para baixo o pensamento idealista afirmando que a base material de uma sociedade é o que determina a sua consciência. A estrutura econômica – por ele chamada de modo de produção - molda as superestruturas: a moral, a religião, a cultura, a ideologia da sociedade. Karl Marx é seco, direto no estilo, suas complexas análises são objetivamente desenvolvidas sem qualquer preocupação didática, com a elegância ou o brilho. Quem leu ou tentou ler o Capital, especialmente naquelas velhas versões em espanhol, sentiu isso: um verdadeiro soco no queixo. Para divulgar sua obra contou com a preciosa colaboração de Friedrich Engels autor em parceria do clássic...

DEMOCRACIA E PODER

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                      Paulo Müzell - fevereiro de 2019 John Kenneth Galbraith definiu o poder como “habilidade de um indivíduo ou de um grupo conseguir a submissão de outros a seu(s) propósito(s)”. Bertrand Russell complementou, afirmando que o poder na vida social tem um papel correspondente ao da energia no mundo físico. De que forma se exerce o poder, quais os meios utilizados para exercê-lo? Galbraith sintetiza citando o primeiro: punição, coerção, medo: o meio mais primitivo e a forma mais antiga de poder. Segundo: compensação, premiando aqueles que se submetem ao poder, é exatamente o inverso do medo e da punição. Terceiro: persuasão, que é conseguir a adesão através do convencimento, da crença. A sua forma mais perene: quem adere se sente ou tem a ilusão de ser partícipe do poder. A história da vida em sociedade é a história do poder. A produção do excedente e...

INDIGNIDADE

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Por Paulo Müzell - fevereiro de 2019    O país marcha para o caos. Depois de um janeiro catastrófico – que superou as mais pessimistas expectativas -, iniciamos o mês de fevereiro com um “pacote de maldades”, que superam o absurdo, beiram o insuportável. Vivemos na indignidade. Num país em que os salários são miseráveis, que tem uma casta dominante que ataca e retira as mínimas garantias e direitos dos trabalhadores, o novo governo anuncia o seu “pacote previdenciário”. A idade mínima para se aposentar será de 65 anos com de um tempo mínimo de contribuição de 40 anos. A justificativa é a urgente necessidade de reduzir um suposto déficit previdenciário que na verdade decorre do declínio da receita, consequência do aumento do desemprego e da informalidade combinado com o absurdo montante de renúncias fiscais e a apropriação indébita dos patrões. Prejuízo total: 86 bilhões de reais no ano passado. Mas o detalhe satânico, a mesquinharia, a indignidade é a prop...